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Da minha conversa com Fritz Perls

Só porque a gente aguenta, aos trancos e barrancos, Não quer dizer que agente deve insistir em continuar.
A vida é um troço engraçado. A gente mesmo inventa As cordas de se amarrar. Se olhar bem direitinho, vai ver que não existe uma regra de como a gente tem que ser. Até que tem regra. O que mais tem é regra. Mas se a gente não cumpre, deixa de existir?
Tenho andado pensativa, pensando muito, sabendo nada. Quanta ordem desgraçada eu cumpri sem precisar.
Chega uma hora que é preciso (preciso não, é possível) entender como parar. Para, para, para e para! Sabe esse caminho que faz você ser quem é? Ele sempre pode mudar.

Ao seu encontro

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Porque você sente falta dos meus poemas,
desenho aqui uns versos.
Essa distância que nos une
parece um bom pretexto.
Cada vez que a lonjura se estica,
faz mais sentido buscar o que nos junta.

O desejo de voar.
A poesia em linhas curvas,
imprecisas.
A procura de saber mais, muito mais sobre si mesma.

Os corredores que nos afastam viraram ruas.
Mas não desanimo.
As avenidas que cruzamos,
onde trilhamos nossos caminhos,
acabam parindo versos.
Viajando por quilômetros invisíveis,
eles cruzam oceanos de distanciamento.
Chegam, por atalho, no peito onde sussurram seus segredos.
É quando a gente se abraça, mesmo de longe.






Tudo passa. A vida também

Feitas todas as coisas ainda resta tempo pra existir? Cada minuto do dia está comprometido com as tarefas que criamos para nos ocupar nos pressionar enfurecer oprimir explodir nos afastar do outro de nós mesmos da falta de pressa do sol nascendo em seu lugar.
Tem vez que a gente sonha poder pausar o tempo. Um minuto apenas. Tudo à espera, em silêncio. Poder olhar com cautela os detalhes. Sentir com intensidade o momento que passou. A gargalhada da sua filha. Sem controle, sem medida. Lá quando não tinha pressa de chegar em lugar algum.
Feitas todas as coisas Ainda resta tempo pra existir? Ou nossa breve passagem pela vida É essa coisa descabida de correr pra vida não passar?

tem coisa que não se justifica

será possível
que diante da dor do indizível
a gente ainda tenha que ver o outro
mostrando suas garras
dentes e unhas afiadas
só pra declarar a fronteira da sua crueldade?

tem coisa que não se justifica.
a gente vê, ouve e não acredita
que respira o mesmo ar
e, se cortam nossa pele,
sai o mesmo sangue da cor vermelha
de quem tanto ódio destila.

Ao Presidente Lula e à sua família, em um dia de muita dor.

Virando borboleta

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O corpo da gente e a nossa alma andam mesmo conectados. (Ou assim deveria acontecer) Se a gente fica resfriado, não é verdade que a gente vê as coisas com outros olhos? O mundo fica parecendo mais sombrio do que é. E a tristeza se achando soberana. Crente que ganhou na queda de braço.
Até que, no dia seguinte, com o nariz desentupido e o paladar de volta aos eixos, a gente respira confiante de novo. A alma fica mais leve e o mundo retoma seu colorido. É assim que a gente vê que corpo e alma andam juntos. (Ou assim deveria ser).
 ...
Nosso corpo é labirinto. Tanto tempo a gente vive e não explora todos os esconderijos. Dançando nessa roda, a gente pode se dar conta do universo invisível. Dos caminhos tão diversos onde a gente se encontra se estranha se cheira se toca se deseja se pergunta se duvida se confirma se provoca.
Do jeito que o corpo fica mais livre, a alma também transborda. e a gente pode sonhar mais desejar mais aceitar mais agradecer mais celebrar mais enxergar mais.
Do…

Poema dono de mim

Quero ver minha voz virar matéria. Ocupando espaço. Quero meu verso escrito de propósito onde eu não me acho. Que minha boca entoe frases esquisitas e, só depois de ditas, tenham nexo.
Que as rimas que eu invente tenham vontade própria. me envergonhem, me dividam, me confundam, me atrasem. Quero as letras todas embaralhadas. Jogadas soltas no papel que escolham seu trajeto. Porque eu adoro quando o poema dita as regras

o tempo que passou

Foram 3650 dias. O suficiente para entender onde as coisas começam, e também onde terminam. A gente é que não cabe nos dias que a gente vive. Não dá pra contar os minutos existidos e achar um número que nos defina